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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

GAROTOS, SEMPRE GAROTOS…

Nossa! o Chefia é demais, ta arrasando os corações dos leitores

Essa semana fui surpreendido, foi postado la no D&P um link de uma matéria sobre Gangues. Eu fiquei muito curioso pra ver e baixei. CARACA! me surpreendi novamente com o que vi, uma matéria sobre o Gangues muito bem escrita pelo Logan ( Obrigado cara ) onde ele fala das influencias que ele encontrou no Gangues e sua opinião sobre a obra. É muito bom saber que Gangues esta caindo mais e mais no gosto do povo, sempre mandando fanarts e escrevendo coisas sobre ele, muitas pessoas até buscam no Gangues referencias e inspiração para criar seu proprio manga. Muito obrigado a tds vocês e prometemos nos esforçar 100 vezes mais para continuar agradando a tds :




GAROTOS, SEMPRE GAROTOS…

…Ou de que forma o Shonen japonês influencia Gangues.



Por Logan G. Silva1



“Joe é completamente sincero, ele se dedica totalmente. Ele só quer fazer uma coisa muito boa da vida, e realmente se dedica a ela sem hesitação, mesmo que pareça impossível, apesar de todas as limitações. Essas qualidades são muito apreciadas pelos japoneses”. A fala de Tetsuya Chiba2 me soa reveladora, no sentindo que nos diz muito sobre o porquê do estilo shonen cativar tanto publico pelo mundo inteiro.



Um tipo de personagem sincero, que possui um objetivo e luta para consegui-lo de maneira legitima através da sua força de vontade, objetivos esses em sua maioria bem simples. Essa é a essência do estilo shonen e justamente por isso cativa tantas pessoas, por ser uma historia sincera.



Como afirma Paul Gravett em seu livro3 todos sabem que no final um herói de mangá está destinado a vencer, ou então perder dignamente. Sendo assim, a emoção vem de acompanhar como ele vence todos os desafios com determinação e honestidade. A fórmula mais comum do gênero consiste em acompanhar um estreante de sucesso improvável, mas altamente talentoso, freqüentemente o perdedor ou o menor da turma, desde o treinamento rigoroso de seu mestre ao seu triunfo final contra todas as expectativas. Na verdade, essa fórmula tem sido aplicada em todos os tipos de universos – de artes marciais a fantasia, ficção cientifica, grandes negócios, política e até mesmo a própria profissão de quadrinista.


Motivada por essa gama de características singulares, a comparação ou até mesmo uma espécie de generalização do gênero shonen ocorre com certa freqüência, justamente por se tratar de obras que lidam com a mesma jornada de forma geral, mas se nos aprofundarmos na narrativa de cada uma delas poderemos perceber suas diferenças intrínsecas o que acaba por tornar cada obra como uma experiência única e especial.


A primeira vista Gangues pode lembrar uma reunião de protagonistas dos animes da década de noventa, com personagens como o Satan Boy, Luck Yokai que trás uma referencia clara ao protagonista da obra de Yoshihiro Togashi, Yusuke Urameshi4 , os dois personagens dividem características muito próximas em seu desenvolvimento, como o estilo bad boy, o prazer pelos fliperamas, o sobrenome de Luck que representa demônio em japonês e Yusuke sendo filho de um demônio. Outro personagem que possui proximidades com um protagonista daquela época é Fly Guy, Buu Feng, com seu cabelo espetado e sua personalidade inocente Buu Feng faz um paralelo com o rei macaco inspirado do mangá de Akira Toriyama Son Goku5 . A habilidade de Buu Feng, o vôo é recorrentemente trabalhado na obra de Toriyama sendo uma característica marcante do universo de Dragon Ball, não obstante podemos realizar outras conexões interessantes como o nome do personagem Buu Feng remete a um nome chinês e não japonês, assim como a lenda do rei macaco que inspira Toriyama que também vem da China, e a habilidade de vôo em si como nos clássicos de Wuxia6 chineses.



Hill Willy, o Psycho Man é um personagem que possui uma característica recorrente nesse estilo de historia que é a dupla personalidade, como podemos ver em Dragon Ball com a personagem de Luch, uma garota inocente até espirar e se tornar uma criminosa convicta, e podemos citar também Kurama Yoko de Yu Yu Hakusho, rapaz delicado e pacifico que esconde em segredo sua verdadeira forma de raposa demônio. Já a peculiaridade de seu poder se justapõe com a de outro personagem do mesmo mangá chamado Hagiri7 , poderes com origens diferentes, mas que possuem uma carga visual muito próximo um do outro. Por último temos Jack Jacob, personagem mais velho, que encarna o papel de rival do protagonista dessa historia. Muitas características poderiam ser traçadas com personagens rivais dos animes da década de noventa como Vegeta de Dragon Ball rivalizando no combate com Son Goku, Hiei em primeiro momento e depois Tiyu no torneio das trevas em Yu Yu Hakusho exemplificam esse estilo de personalidade durona e solitária e de certa forma mais maduro no quesito sabedoria e experiência de combate.


Outros personagens como Sophiy que caracteriza um possível par romântico para Luck, assim como Yusuke e Keiko em Yu Yu Hakusho demonstra mais um tema recorrente no estilo Shonen, mas que revela a carência de personagens feminina lutadoras no gênero, característica essa que começou a mudar nos mangás a partir da década de noventa.



É quase impossível não se lembrar da luta de Seiya contra Geki de Urso na obra de Masami Kurumada8 , onde Marin ajuda Seiya na batalha com seus ensinamentos da época de treino na forma de flashbacks. Quando Luck se lembra dos ensinamentos passados pelo seu mestre, o Monstro, que possivelmente é uma referencia em aparência ao mestre de Ikki de Fênix, Guility o cavaleiro do Diabo, acontece o mesmo. Assim Luck se supera e vencendo o inimigo.


O próprio cenário onde se passa a historia de Gangues divide muitas similaridades com o mangá de Yoshihiro, mangá esse que foi febre no Brasil na forma de anime em noventa. Coisas como as gírias utilizadas pelo protagonista Yusuke que marcaram na época a personalidade, ressurgem de forma atualizada nas palavras de Luck protagonista de Gangues, o que de certa forma trás uma identificação maior por parte do leitor, mesmo que a historia aparentemente se desenvolva em um cenário similar ao Japão essa relação lingüística por parte dos diálogos aproximam o leitor de uma forma mais intimamente ligada a suas experiências vividas aqui no Brasil. Outro mérito de Gangues é a capacidade em emular uma narrativa ao estilo Shonen perfeitamente, trabalhando o dia a dia dos personagens, alongando eventos comuns, e dedicando ao momento das lutas uma dose necessária de páginas, como nas palavras de Gravett “Um jogo de beisebol ou basquete pode se estender por centenas de páginas, com cada movimento dividido e o impacto maximizado por planos conflitantes, traços rápidos, onomatopéias e figuras fora de foco e escorçadas.” visível nas excelentes páginas duplas com os “golpes especiais” dos personagens. A opção por trocar as onomatopéias para algo mais ocidental o que poderia ter gerado um conflito gráfico, muito pelo contrario, acaba por contribui mais uma vez para a imersão do leitor trazendo a tona a sua própria referencia nacional e não algo, às vezes abstrato para ele. O sentido de leitura ocidental é outra característica importante, pois isso gera a possibilidade da obra gerar novos leitores distintos desse universo do anime e mangá, coisa que uma leitura oriental poderia fazer justamente o contrário.


Com a explosão do anime na década de noventa, se criou uma febre juvenil, cada anime novo encantava mais e mais essa juventude. Muitos dos artistas que estão produzindo hoje em dia são resultado direto da influencia dessas obras clássicas como Dragon Ball, Yu Yu Hakusho e Saint Seya, é completamente justificável que os autores de Gangues busquem nessas obras a referencia para iniciar seu trabalho, assim como autores famosos como Eiichiro Oda9 que também o fez.


O inicio de Gangues pode nos trazer referencias dessas obras já citadas, mas o mais interessante é que no decorrer do processo, a obra em si vai se individualizando, formando suas características próprias, assim como o traço do desenhista que começa temeroso e com o tempo vai se afirmando, o mesmo acontece na obra como um todo. É no capítulo 6 que todas as dúvidas desaparecem e Gangues se afirma como uma obra única, trazendo a primeira derrota de Luck para Jack onde vemos uma quebra no ciclo de referencias e a obra começa a caminhar com suas próprias pernas, não precisando mais das muletas seguras das referencias para se apoiar, nos encontramos totalmente imersos no universo de Gangues, e pronto! Ele conseguiu nos fisgar.


Como o editor da Shonen Jump, Hiroki Goto, explicou em 1991, a revista semanal “mostra que se você trabalhar duro pode conseguir qualquer coisa. Isso é o que nossas histórias dizem. E essa filosofia atrai tanto adultos como crianças”. O que parece vender a Shonen Jump e outros títulos para garotos de 6 a 60 anos são seus valores de amizade, perseverança e triunfo e além de tudo isso, Gangues traz a máxima do estilo Shonen em sua essência, a sinceridade.


1 Agradecimentos especiais a minha amiga Lívia Daniela.

2 Tetsuya Chiba foi um artista de mangá japonês, famoso por suas histórias de esportes. Sua obra mais reconhecida foi Ashita no Joe um aclamado mangá de Boxe.
3 Informações retiradas do livro “Mangá, como o Japão reinventou os quadrinhos” de Paul Gravett.
4 Yusuke Urameshi é o protagonista do mangá Yu Yu Hakusho do mangaká Yoshihiro Togashi.
5 Son Goku é o protagonista do mangá Dragon Ball do mangaká Akira Toriyama.
6 Estilo popular de historias chinesas que contam feitos e lendas, geralmente utilizado em filmes como O Tigre e o Dragão, Herói e uma dezena de outros.
7 Hagiri coloca sua energia em objetos e os atira com a força de uma bala e também tem a habilidade de colocar o "Alvo da Morte" nos oponentes, fica como se fosse marcas de alvos no corpo da vítima e tudo o que estiver em volta da pessoa é disparada contra ela. Aliado de Sensui aparece na terceira saga de Yu Yu Hakusho: Portão do Inferno - Saga do Capítulo Negro (episódios 67 a 94).
8 Masami Kurumada é um artista de mangá japonês, mais conhecido como o criador do mangá e anime Saint Seiya.
9 Eiichiro Oda é um artista de mangá japonês, mais conhecido como o criador do mangá e anime One Piece.



4 comentários:

Kari Esteves disse...

Show de bola!!! Uma excelente amostra de que sabemos fazer mangá SIM. O Logan captou as influências de Gangues, que tbm é a referência de mtos artistas nacionais! Isso é legal dimais!!! \o/
Vou divulgar isso!!! MERECE!!

Forjador de Sonhos disse...

Valeu Bruno pelo reconhecimento e Kari também, continuem o bom trabalho que está sendo desenvolvido em Gangues eu já to divulgando pra todo mundo, valeu mais uma vez galera, um abraço a todos! ^^ Ganbate!!!

Lucas H.M. Mohr disse...

Nao gostei muito do nvo banner...:S

Bruno Salas disse...

vc tem razão lucas
acho que exagerei um pouco
ficou meio obsceno rsrsrs
ja concertei

obrigado